Como identificar a inovação nas empresas? Perguntar diretamente aos empresários se “sua empresa inova?” não é o caminho. Cada um tem um entendimento do que é inovação e a maioria das respostas seria “sim, inovamos”. Mas quantas empresas são, de fato, inovadoras? Você sabe qual o percentual de empresas gaúchas que lançam novos produtos que são desenvolvidos internamente? Três por cento! Inovação é a palavra do momento. Nenhuma empresa quer ser rotulada como defasada, com produtos obsoletos ou desatualizada com relação aos desejos do mercado. Mas quando investigamos mais a fundo, identificamos diferentes percepções sobre o que é inovação.

Durante o projeto de pesquisa que buscou traçar os Caminhos da Inovação na Indústria Gaúcha, coordenado pelo NITEC – Núcleo de estudos em Inovação da UFRGS, identificamos que o desenvolvimento de novos produtos ou tecnologias é restrito, ocorrendo, principalmente, a partir da solicitação de clientes (38%) e melhorias em produtos existentes (35%). São aqueles ajustes em peças existentes, uma adaptação de um produto existente, uma execução de algum projeto desenvolvido pelo cliente, etc. Poucas são aquelas empresas que realmente lançam produtos novos que foram inventados internamente (3%).

Assim, é preciso ter em mente que (1) inovação é uma palavra que tem significado diferente para diferentes pessoas e empresas. Além disso, (2) produtos completamente originais são a minoria dos desenvolvimentos realizados pelas nossas empresas.

Isso não quer dizer que eles não possam ser inovadoras, pois inovação não se restringe ao desenvolvimento de novos produtos, ela é mais ampla do que isso. Inovação pode ser percebida, também, a partir de novos processos, novas formas de organização e desenvolvimento de novos mercados. Empresas que desejam traçar um caminho inovador não podem estar focadas apenas em uma dessas esferas. É claro que elas precisam desenvolver suas capacidades de desenvolvimento de novos produtos e tecnologias! No entanto, elas também precisam ter esforços nas áreas de produção, de gestão e comercial.

Ou seja, (3) inovação é o resultado de um conjunto de capacidades de desenvolvimento de produtos e tecnologias, de produção, de gestão e comercial.

É o conjunto de habilidades nessas diferentes áreas que levará uma empresa a atingir desempenho inovador. Apenas desenvolver um novo produto sem conseguir produzi-lo em alta escala, desenvolver o mercado para esse novo produto, fazer a sua distribuição e gerenciar todas essas atividades de forma planejada e integrada não é suficiente. É a combinação das capacidades nessas diferentes áreas que podem levar uma empresa a ser inovadora.

Cada empresa, no entanto, (4) precisa encontrar a combinação mais adequada aos seus processos internos e, principalmente, encontrar a combinação que a leve a atender as demandas do seu público-alvo.

Uma empresa de alimentos que está atenta às novas demandas dos consumidores por produtos mais saudáveis, por exemplo, deve ter, logicamente, a capacidade de desenvolver produtos para esse público. E mais, ela deve ter condições de desenvolver embalagens que comuniquem o seu diferencial e conquistem aquele consumidor. São as capacidades de desenvolvimento e comercial andando juntas para alcançar o consumidor e, portanto, gerar retorno econômico para a empresa. Já uma empresa fornecedora de matéria-prima, com atuação business to business (B2B), não precisa colocar o mesmo esforço na marca ou em campanhas comerciais voltadas ao grande público, pois seu foco deve estar em desenvolver sua capacidade de gestão, integrando a cadeia de valor e desenvolvendo relacionamentos duradouros com seus clientes.

Assim, inovação não é apenas produzida por “Apples, Googles ou Amazons da vida”, porém, apenas introduzir uma camiseta verde em um portfólio de camisetas azuis não reflete a verdadeira inovação. Para uma inovação se concretizar, é necessário um esforço por parte da empresa nas diferentes áreas, e o resultado desse conjunto de esforços deve gerar retorno para a empresa.

Portanto, (5) inovação é resultado.

É fácil? Não, ninguém disse que seria. É factível? Sim, é possível identificar as áreas que devem ser mais trabalhadas e desenvolver essas capacidades. Essas indagações nos movem como pesquisadores, pois queremos entender como as empresas funcionam, identificar padrões e propor caminhos para que possam ser inovadoras.

Profª Drª Fernanda Reichert
Programa de Pós-Graduação em Administração
Escola de Administração/UFRGS
Pesquisadora do NITEC

One thought on “Visão do Professor – Desmistificando a Inovação (Profª Drª Fernanda Reichert)

  1. Alexandr diz:

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