Na minha primeira entrevista de emprego da vida, para uma bolsa de iniciação científica a qual eu tive o prazer de participar por dois anos e meio, fui questionada sobre qual ramo da Administração eu gostaria de seguir. Estava no primeiro semestre, recém chegada na EA, e pouco sabia sobre qualquer um dos possíveis caminhos a percorrer dentro da ADM. Respondi “Finanças” e “Gestão de Pessoas”, e o grupo de pesquisa não era nem de um, nem de outro, mas a beleza do curso de Administração é isso: a infinidade de possibilidades a serem experimentadas ao longo do curso.

Em 2017 surgiu a primeira oportunidade de estágio em banco, na área Comercial, e, pra quem cresceu ouvindo que passar em concurso pra trabalhar em banco era a segurança de um futuro garantido, pois bem, lá estava eu, mesmo sabendo que esse mercado ainda é um lugar dominado por homens. Acabei com algumas desilusões, até porque, tal qual o curso de Administração, os bancos também possuem inúmeros departamentos e áreas diferentes para achar algo que ame – e o Comercial não era pra mim. Em 2018 surgiu a segunda oportunidade de estágio, a qual eu me inscrevi sem nem conhecer a empresa, mas muito impulsionada pelos benefícios e pelo nível de exigência do processo seletivo. Pensava, inclusive, que era uma empresa de TI, porém, no momento de pesquisar sobre a empresa para a entrevista, lá estava eu metida em bancos novamente. Deu tudo certo, e optei por entrar em uma área que aparentava envolver as aulas de Microeconomia que eu tanto amava: Crédito.

O primeiro grande diferencial foi o fato de estar em uma multinacional: usar o inglês em absolutamente tudo. Senti, de fato, o privilégio de poder ter investido em um bom curso. Iniciei minutando os Comitês de Crédito, estagiária, mulher, numa sala de reunião com as pessoas que possuem as maiores alçadas decisórias para discutir os casos mais robustos de análise de crédito – o que, pra mim, mais era uma aula do que uma tarefa. Coisas como “política de crédito”, “política de risco”, “Cs do Crédito”, “fluxo de caixa”, “índice de liquidez e solvência”, e tantas outras coisas que nas aulas parecia uma mera burocracia, acabavam tomando forma, e sendo vistas como base de tomada de decisão para liberação de recursos à pessoas e empresas.

Um ano depois me tornava analista e, no ano seguinte (2019) veio a proposta de me mudar para a “Meca” do mercado financeiro no Brasil: São Paulo, coincidentemente um mês antes da minha formatura em ADM. A dinamicidade desse mercado é algo que me impressiona até hoje, quando paro para refletir sobre carreiras. Trabalhar com análise de crédito no mercado brasileiro significa lidar com incertezas o tempo todo, e precisar explorar cenários que envolvem essas incertezas. Retomando o conteúdo das aulas de Micro I, é preciso levar em conta que o fato de alguém ou alguma empresa ter capacidade financeira hoje não significa que ela terá daqui a 2, 3, 4 anos, e que, por vezes, caráter é ainda mais relevante que capacidade.

Se eu pudesse dar alguns conselhos para quem tem interesse em Finanças, é o de estar pronto. Procurar mentores. Não ter medo de buscar algo que você ame, mesmo que isso signifique entrar em um mercado que parece que todos são gênios, ferozes, workaholics, ou alguma outra versão retratada no filme O Lobo de Wall Street. Como mencionado do início, o curso de Administração abre portas para inúmeras oportunidades – basta estarmos prontos. Com tantos caminhos, corremos o risco da analogia do cirurgião geral: conhecer um pouco de tudo, mas não ser especialista em nenhum campo. O autoconhecimento e a experimentação nessas horas é chave: conhecer esses caminhos, saber quais você gosta, quais não gosta.

Se há muitas dúvidas, aproveitar o curso para estagiar em áreas em que há dúvidas. Saber separar quando a desilusão em um estágio é com um empregador, com a empresa, ou com o ramo, como um todo. E quando, enfim, tiver bem claro o que quer, foco total! Estou em São Paulo (no momento, em Porto Alegre, por conta da pandemia) já há mais de um ano. Eu acordo todos os dias com aquele friozinho na barriga dos desafios que eu irei enfrentar no dia – e sei que, o dia que eu não tiver mais esse friozinho, algo estará errado.

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Gabriela Clasen

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Analista de Crédito Pl at DLL

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