Marcelo é formado em administração pela Escola de Administração da UFRGS e possui pós-graduação em finanças pela Fundação Getulio Vargas e MBA pela University of Texas McCombs School of Business. Atua hoje como Senior Associate na área de Deals da PwC em Dallas no Texas, Estados Unidos.

Comecei minha jornada profissional como aluno da EA UFRGS no primeiro semestre de 2006 e já no segundo semestre iniciei o meu primeiro estágio em uma empresa pequena. De lá, estagiei na Gerdau e depois tranquei a faculdade para passar um ano fora estudando outros idiomas. Voltei ao Brasil no início de 2009, logo após o auge da crise internacional. Logo iniciei a busca por estágios e empregos, mas a coisa não estava muito boa – quem viveu, deve se recordar. Estando na EA UFRGS, no entanto, sempre estive rodeado de colegas competentes e bem colocados no mercado de trabalho e foi aí que tive a primeira experiência real da importância do network. Alguns meses após o meu retorno, me inscrevi no processo de trainee da PwC, ou PriceWaterhouseCoopers, por meio da indicação de uma colega que estava trabalhando lá. No fim acabei sendo contratado e entendo como foi importante ter tido a minha experiência internacional e poder comprovar o domínio da língua inglesa.

Na PwC continuei cercado por pessoas extremamente competentes e que sempre pensaram em trabalhar no exterior ou já tinham feito e podiam compartilhar as suas experiências. Após alguns anos em Porto Alegre, me mudei para São Paulo onde conheci ainda mais pessoas com essas experiências. Cada pessoa que conheci nesse tempo na EA UFRGS, PwC Porto Alegre, PwC São Paulo e na cidade de São Paulo, não só se tornou parte da minha rede de contatos, mas também me influenciou e ajudou a construir a confiança necessária para encarar um curso de Mestrado em Administração, ou MBA, no exterior.

Com a decisão tomada, enfim iniciei os preparativos para buscar uma vaga em um curso de MBA, e não foram poucos.

Para começar, é necessário saber bem qual o objetivo para buscar um MBA fora. Há quem queira ter somente uma experiência internacional, há quem queira sair do país em definitivo, há quem queira mais conhecimento e rede contatos em uma certa indústria, etc. Enfim, há uma séria de motivos que podem levar a buscar a esse caminho e é muito importante saber qual o objetivo antes de começar a dedicar tempo e recursos para alcançá-lo.

Com os objetivos definidos, começa a fase de planejamento, que envolve pesquisar quais instituições atendem tais objetivos. A partir daí é possível saber quais as pontuações nos testes GMAT – ou GRE – e TOEFL necessárias para tentar uma vaga, os demais requisitos, que normalmente envolvem redações explicando o porquê da decisão de buscar um MBA, além dos cronogramas de inscrição. Além disso, sabendo a universidade, também é possível iniciar o planejamento financeiro, já que diferentes universidades cobram valores significativamente distintos, sem contar o custo de vida, que varia expressivamente dependendo do estado. Há muitas outras questões a serem levadas em consideração que merecem um ou mais artigos focados.

Feito o planejamento, é baixar a cabeça e estudar, estudar muito! As duas provas quase que obrigatórias para qualquer curso MBA no exterior são o GMAT ou GRE e o TOEFL. O GMAT e GRE são provas de matemática do ensino médio, lógica e interpretação de texto. O conteúdo não é muito extenso, ainda mais se comparado ao ENEM ou vestibular e concursos públicos. A dificuldade reside no curto tempo para resolver as questões, o que pode ser um desafio e tanto para muitos e posso dizer que para mim foi. A parte de matemática e lógica não necessita de inglês avançado, no entanto, a parte de inglês requer excelente conhecimento de gramática e vocabulário. Quanto ao TOEFL, é necessário conhecimento avançado para alcançar uma boa pontuação, pois há trechos que envolvem escutar e responder falando.  Há cursos online muito bons com preços razoáveis e há cursos presenciais que normalmente são caríssimos. Vai de cada um o que funcionar melhor. Eu particularmente estudei quase que inteiramente por cursos online e fiz apenas algumas aulas presenciais de matemática.

Com as provas feitas e, quiçá, boas pontuações atingidas, se inicia a etapa de inscrições. Cada universidade exige a confecção de duas ou mais redações, além do envio das notas. Algumas universidades possuem processos mais criativos, aceitando vídeos e outras formas de expressão. Também faz parte do processo uma ou mais entrevistas presencias ou por Skype, então não há como fugir de estar com o inglês afiado. Há coaches aqui no Brasil que auxiliam nessa etapa e eu recomendo muito fazer uso desse recurso, que embora caro, com certeza fará a diferença entre ser aceito ou não nas universidades escolhidas.

Ao longo de aproximadamente nove meses, passei por todas estas etapas e acabei sendo aceito em algumas universidades nos EUA e na Europa. Optei pela University of Texas, por encaixar mais aos meus objetivos e por sua localização em Austin, capital do Texas e uma cidade excelente para morar. Outros fatores importantes foram o tamanho da escola, não muito grande nem muito pequena, a excelente recepção prestada pelo corpo docente e pelas demais áreas de apoio, e a cultura de colaboração que incentiva a formação de um network que veio a me auxiliar na busca por emprego durante o curso.

Passei dois anos cursando diversas cadeiras de finanças, operações, marketing, ética, entre outros, e tive uma experiência de ensino muito boa que me trouxe uma outra perspectiva de mundo e ajudou a abrir a minha cabeça a outras maneiras de solucionar problemas. Não só isso, como também tive a oportunidade de me expor ao mercado de trabalho norte-americano e, por pura coincidência, conseguir uma vaga na PwC de Dallas. Essa última etapa, que envolve procurar um emprego, ou iniciar um negócio se você tem espírito empreendedor, é crucial e merece toda a dedicação, pois é a culminação de todo o esforço dedicado. Até hoje me lembro muito bem das dezenas de horas de preparação para estudos de caso e entrevistas e dos diversos e-mails de “agradecimento” por ter participado em processos de seleção. Além disso, a obtenção de vistos de trabalho se tornou muito mais difícil em 2018 devido a mudanças na política de imigração dos Estados Unidos, fazendo com que muitas empresas parassem de contratar estrangeiros. Com certeza essa foi a etapa mais difícil de toda a jornada e por isso vale ressaltar a sua importância.

Tentei fazer um resumo da minha jornada de BIXO EA UFRGS 2006 a profissional no mercado global, mas acabei escrevendo muito mais do que tinha planejado. A verdade é que as experiências foram muitas e todas de altíssimo valor. Os desafios também foram incontáveis, mas com a base e a rede de contatos que desenvolvi na EA, sempre tive a quem buscar quando me deparei com obstáculos. Em suma, se você tem esse sonho, vá atrás dele. Se encontrar dificuldades, use o seu network. E quando chegar lá passe o aprendizado adiante!

Marcelo Tschiedel
Deals Senior Associate PwC Dallas USA
Alumni UFRGS 2011/2

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